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O mundo espera de nós um pouco mais de paciência

| BEM ESTAR

Um copo plástico, algodão, um único grão de feijão e, se não me engano, uma colher
com água. Você se lembra desta experiência clássica das aulas de ciências, na escola?

Depois de todas as etapas terem sido cuidadosamente feitas, chegava o momento de
levar o copo para casa e instalá-lo em um canto ensolarado. O próximo passo era
esperar alguns dias, que mais pareciam ter se transformado em anos. A ansiedade era
tanta que provocava reações imediatas nas crianças. Uma delas não aguentou ficar
sem saber o que estava acontecendo e mexeu no algodão. A outra ligava um abajur
forte durante a noite para que o eterno dia acelerasse o crescimento da plantinha. E a
terceira simplesmente olhava – várias vezes ao dia, é verdade -, mas apenas olhava,
curiosa o que ia acontecer.

Durante os dias que se seguiram, nada aconteceu no copo da primeira criança. Ela
então, desistiu e tratou de fazer outras coisas, perdendo assim a oportunidade de se
encantar com uma descoberta. No copo da segunda, logo apareceu uma planta alta,
mas ela morreu antes mesmo de ser levada de volta para a escola. Já no copo da
terceira, ocorreram as mais diversas etapas. À medida que aumentavam os cuidados, o
feijão dela abriu, saiu uma folha pequena, depois um galho e, assim, aos poucos, uma
planta forte, até poder ser levada para escola.

Lógico que a terceira criança pode ter tido uma sorte tremenda neste caso da
experiência. Mas, se você ler bem as entrelinhas da história, vai entender que, muito
mais do que sorte, ela teve paciência. Paciência de se deixar surpreender, de aguardar
os fatos, não imóvel, mas tomando as providências exatas para que aquela situação se
desenvolvesse e, sobretudo, respeitando o tempo da planta.

Pegue essa história e transporte-a para seu dia-a-dia, pense em todas as vezes que
você desistiu de alguma coisa. E quando você tentou pular etapas para chegar antes e
acabou tropeçando no meio do caminho, lembra? Isso ocorre porque estamos
seguindo o ritmo da hiperativa sociedade moderna, que cada vez mais nos diz que
precisamos ser rápidos, estar na frente, chegar antes, não importa o que precise ser
feito.

E eu pergunto: para quê? A paciência, ou o respeito ao tempo das coisas e das
pessoas, é, além de uma virtude, uma oportunidade de decidir melhor, de ter certeza
e, até, de ser feliz. Você vai ver que, depois de contar até dez, tudo ganha uma
conotação diferente. Melhor ou pior, você decide, com toda a calma do mundo.

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