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Dê chance à esperança por Dr. Jou Eel Jia

| BEM ESTAR

Por que será que temos tanta dificuldade de acreditar nas coisas boas? Se alguém conta que foi assaltado, que perdeu tudo o que tinha no jogo ou que foi sumariamente demitido, registramos sem questionar. Mas se, ao contrário, ouvimos dizer que determinada pessoa ganhou flores de um desconhecido na rua, acertou na loteria ou foi contratada para um alto cargo de chefia, vamos logo torcendo o nariz, achando que aquilo não pode ser possível.

Ora, seria no mínimo justo dar ao êxito o mesmo espaço que, sem perceber, costumamos dedicar ao fracasso. O fato é que estamos tão condicionados a visualizar o abismo que nem sempre nossos olhos estão disponíveis para enxergar a linda paisagem que se descortina à frente dele. Tragédias e dádivas muitas vezes acontecem juntas, num movimento natural de equilíbrio de forças. Se as primeiras são inevitáveis, por que não abrir espaço no coração para os milagres que podem vir depois?

Ângela sofria de uma grave doença que comprometia os movimentos das pernas e já era consenso entre os médicos que passaria a vida sobre uma cadeira de rodas. Apesar dos constantes desenganos, a menina, então com 11 anos de idade, não se deixava abater. Tinha certeza de que um dia voltaria a andar e se esforçava mais do que qualquer paciente nas sessões de fisioterapia do hospital de reabilitação de São Francisco, na Califórnia, onde permanecia internada.

Durante as várias horas que ficava na cama, praticava com disciplina um outro exercício: mentalizar a imagem de si mesma caminhando – técnica ensinada pelos terapeutas do hospital no esforço de confortá-la. Certo dia, durante seu exercício mental, imaginava as pernas se movendo, quando o improvável aconteceu: elas começaram a mexer com tamanha intensidade que faziam balançar todos os móveis do quarto.

Eufórica, Ângela começou a gritar de alegria, mas, apesar do barulho, ninguém apareceu no quarto para presenciar a cena. A partir dessa experiência mágica – que veio confirmar suas esperanças -, os movimentos dela foram retornando aos poucos até que, um ano depois, a garota surpreendeu a medicina ao voltar a andar. Nunca soube, no entanto, que naquele dia havia ocorrido um forte abalo sísmico em São Francisco e que suas pernas, ainda completamente imóveis, apenas acompanharam o ritmo do tremor.

Chego a ouvir você perguntar se a história acima é verídica – velho hábito de relutar em emprestar o coração aos acontecimentos bons. O que posso dizer é que acreditar é fazer acontecer. Portanto, se você quer que ela exista, não negue nem questione desta vez, apenas permita que se transforme em verdade dentro de você.

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