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Pratique a tolerância Por Dr. Jou Eel Jia

| BEM ESTAR

Natal é época de reunir a família, relembrar histórias, compartilhar afetos. A definição pode ser perfeita para uma propaganda de peru, mas aqui do outro lado da tela a realidade tende a ser um pouco menos romântica. O que se vê, normalmente às vésperas do Natal, são pessoas bufando porque têm que encontrar parentes que gostariam de manter certa distância para evitar aborrecimentos. Se for contar, periga a lista de desafetos ficar quase do tamanho da de presentes. Tem aquela tia que gosta de fazer comentários sobre a vida alheia; a prima que adora contar vantagem sobre tudo o que faz; o cunhado que exagera no vinho e solta alguns comentários inconvenientes; a sogra que aproveita a oportunidade para questionar a educação dos netos e por aí vai.

Conviver está longe de ser uma tarefa simples. “Aprendemos a voar como pássaros e a nadar como peixes, mas não aprendemos a conviver como irmãos”, disse uma vez o Nobel da Paz Martin Luther King. Se temos essa dificuldade de compreender e aceitar as diferenças das pessoas que amamos e que estão mais próximas, o que dizer da nossa relação com o mundo lá fora? A resposta, quase sempre, está presente nas estatísticas de solidão, de desemprego, de estresse e, sobretudo, de violência. Os números, assim como as supostas confraternizações de família, mostram que estamos cada vez menos tolerantes.

Fulano é chato, sicrano é inconveniente, beltrano é enxerido. Quem disse que você também não tem lá os seus defeitos? Uma coisa é certa: sempre que uma determinada atitude incomoda muito – venha ela da sogra, do cunhado, do marido, do chefe ou de quem quer que seja – é sinal de que temos algo a aprender com ela. Vamos pensar na seguinte situação: a ceia está quase no fim e aquela prima distante, como de hábito, não parou de contar vantagem. Alguns parentes ouvem com atenção, outros se divertem com o flagrante exibicionismo, há ainda os que a ignoram educadamente. Você é a única que está tensa e não vê a hora de sumir por aquela porta e ficar mais um ano sem ver a tal criatura. Vale se perguntar onde, afinal, está o problema. Se nela ou em você mesma. Não é difícil, por exemplo, que diante do exagero da outra pessoa você possa finalmente estar se dando conta de que não está tão satisfeita assim com as próprias escolhas de vida. Daí a sua irritação.

Sabe por que conviver é tão difícil? Porque as pessoas são como espelhos e, muitas vezes, sem se dar conta, mostram um lado nosso que não queremos ver. Enxergá-lo, porém, é fundamental para o nosso crescimento interior. Se nossa família fosse perfeita como aquela da propaganda de peru, não haveria o que aprender com ela e, portanto, ela seria qualquer coisa, menos uma família de verdade.

 

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