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Crie bons hábitos – por Dr. Jou Eel Jia

| BEM ESTAR

Convido você a uma reflexão: de onde vem a palavra “hábito”? Seu significado está ligado a “traje” ou “peça de roupa”, algo confeccionado em tecido. A comparação facilita entender por que os hábitos influenciam tanto a nossa vida. Não é exagero afirmar que somos produto deles. Os próprios cientistas estão convencidos de que os hábitos podem determinar até 95% do nosso comportamento.

Tomo emprestado um pensamento do poeta americano John Dryden: “Primeiro fazemos nossos hábitos, depois nossos hábitos nos fazem”. A frase expressa como se forma um hábito. Assim como o bebê não vem ao mundo vestido, os hábitos não nascem conosco: são adquiridos. Se desenvolvem ao longo do tempo e se reforçam com a repetição.

Vamos supor que alguém comece a tomar um uísque ao chegar em casa, para relaxar das tensões do trabalho. Tente associar esse gesto a uma linha fina, quase invisível. À medida que ela for reforçada, fica mais grossa e vira um cordão. Mais tarde, torna-se uma corda e, finalmente, uma corrente. Pronto: dessa forma será difícil mas não impossível a pessoa encontrar outras formas de relaxar.

Por isso aconselho você a se perguntar: quais hábitos estou formando? Eles são saudáveis ou danosos para a minha vida? E a empregar toda a sua energia no sentido de desenvolver somente os bons, pois, como num treinamento esportivo, eles têm a função de condicionar o físico: quanto mais o atleta pratica, melhor automatiza os passos do exercício.

No esporte, a repetição é o segredo do sucesso. Os movimentos são repetidos inúmeras vezes, num trabalho duro, até que o corpo os “decore”. Do mesmo modo, nossas habilidades não surgem naturalmente. Precisamos praticar com regularidade e persistência, até torná-las um hábito.

E o que acontece quando você já criou maus hábitos? Há quem diga que, depois de arraigados, é impossível livrar-se deles, mas eu discordo. Conheço muita gente que deixou para trás hábitos como fumar ou beber, apenas enxergando a necessidade dessa mudança e exercendo sua força de vontade. Outro jeito é substituir um hábito por outro, positivo. Em vez do cigarro, esporte.

Em sua autobiografia, o cientista americano Benjamin Franklin (1706-1790) diz que usou com sucesso essa técnica, enumerando treze qualidades positivas que desejava adquirir no lugar de uma quantidade igual de hábitos negativos. A cada semana se concentrava em um ponto. Aos poucos, ganhou novas aptidões e largou os antigos defeitos. Vale a pena fazer um esforço consciente para se tornar uma pessoa melhor.

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