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Dividir para multiplicar – por Dr. Jou Eel Jia

| BEM ESTAR

Quem não se lembra de ter aprendido, ainda quando bem criança, a compartilhar suas coisas? Do lanche da escola aos brinquedos preferidos, a orientação da família era muito clara: dividir. Confesso que, no começo, obedecia de cara feia, fazendo muxoxo, mas não demorei para descobrir que abrir mão de umas tantas mordidas do meu sanduíche de queijo e presunto ou emprestar a bola de futebol por algumas horas aos outros meninos da rua era um investimento pequeno diante da recompensa de fazer cada vez mais amigos.

Bom seria se nós conseguíssemos preservar eternamente essa lucidez que a infância nos dá. O fato é que o tempo passa e nos deixa cada vez mais prevenidos em relação às coisas. Com a ingenuidade, perdemos também a noção de como é importante compartilhar. Não só sanduíches e bolas de futebol, como nos velhos tempos, mas principalmente afetos, gentilezas, alegrias e oportunidades. Recentemente, ouvi uma história engraçada que me fez refletir bastante sobre esse tema. Vou tentar reproduzi-la aqui para você.

Quando chegou ao aeroporto para uma longa viagem, a mulher ficou sabendo que seu voo atrasaria uma hora. Para passar o tempo, comprou uma revista e um pacote de biscoitos e acomodou-se na sala de embarque. Embora absorta na leitura, percebeu, de repente, que o homem que estava sentado a seu lado havia tirado um biscoito do pacote colocado entre eles dois. Para evitar constrangimentos, fingiu não ter visto nada. A cena, no entanto, se repetiu. Ao olhar de soslaio, flagrou mais um biscoito sendo tirado do pacote. Ela pegava um, ele pegava outro e assim por diante, o que a deixava profundamente irritada.

Quando finalmente só restava um único biscoito no pacote, a mulher ficou tensa, sem saber como agir. Eis que o homem, com um sorriso simpático, pegou o último biscoito e o partiu ao meio. Indignada com tamanha grosseria, ela arrancou da mão dele a sua metade e, enquanto tomava fôlego para dizer a ele tudo o que pensava a respeito do seu comportamento, chamaram seu voo. Trêmula de raiva, juntou suas coisas e dirigiu-se ao avião. Antes de acomodar sua mala de mão no bagageiro, porém, decidiu pegar um casaco de dentro dela, pois o ar-condicionado a deixara com frio. Qual não foi a sua surpresa – e vergonha – ao descobrir que o pacote de biscoitos que havia comprado estava ali, intacto, inteirinho. Na verdade, ela é que havia comido do pacote dele, que em nenhum momento se incomodou em compartilhá-lo.

Na matemática da vida, dividir significa sempre multiplicar. Querer tudo para si, por outro lado, é reduzir drasticamente as possibilidades de ser feliz e fazer felizes aqueles que compartilham sua existência conosco. Pense nisso!

 

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